domingo, 10 de maio de 2015

Amor

O Amor é a manhã franzina
Que nasce por entre seus cabelos
É o aconchego que aquece
E faz ninar
É riso bobo das coisas à toa

É o entrelaçar dos dedos
O carinho despretensioso
É o afagar do medo
E o deboche da angústia

É a lágrima que é tristeza
E alegria

O amor é se importar
Amar é cuidar das feridas
E adormecer no colo
Da ternura

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Meados de Abril

Lá vai ele
Aquele que mudou o rumo do meu caminho
Aquele que me fez inteira
Fez a mulher em mim florescer

Lá vai a pessoa
Que de tão errada
Foi a certa
E me mostrou quem eu posso ser

Lá vai ele ao longe
Quem fez eu me perder
Nos meus desejos
Enlouquecer na minha sandice

Lá vai a lembrança doce
 Das noites de amores
Em que me sentia completa
De tão feliz
Por tê-lo dentro de mim


Ana Carolina Alencar

sábado, 4 de abril de 2015

Bota Fogo



Ontem fui procurar meu namoradinho do Rio
E ele não estava lá
Foi procurar Cecília nas calçadas paulistanas

E no vazio do silêncio
Fiz a prece para que
Meu anjinho de olhos caídos
Se guardasse eternamente em mim
E a saudade desabotoar-se
Até a paz



Ana Carolina Alencar






segunda-feira, 30 de março de 2015

Tristeza



Mais uma vez me deparo com ela
Com a velha anciã de todas minhas desavenças
Aquela que se debruçou sobre mim
Com o pesar do teu olhar

A velha conhecida que te afastou de mim
Que me arrancou do teu colo
Me pôs em gélidos penar

A culpa foi minha, eu sei
De calar-me quando queria dizer
De vingar de ti todo o descaso que presumi

Mas se me aceitares de volta
Sem tanto desbotamento
Sem desaparecimento

Essa carrasca irá sumir
E poderei ver a luz da praia
Na doçura da brisa
Que a ti sonhei

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Cecília e seus amores



Cecília acreditava no amor.
Esperava encontrá-lo a qualquer momento
Fazia chuva, fazia sol e lá estava ela
No desatino de sonhar

O tempo passava e de repente Cecília conhecia um rapaz
Perspicaz avaliava se este seria o tão esperado
E por fim era apenas um caso desbaratado

Mas Cecília mesmo triste se punha a trilhar
Ilusões detalhadas de uma paixão fervorosa
E aguardava o desabrochar da flor
Para o mais apto apreciador de seu néctar

Pobrezinha, a andar sempre sozinha
Começava a desanimar
Nenhum varão por ela a se enamorar

Enquanto as outras moçoilas de sua idade
Punham-se a sassaricar
Se deleitando entre os homens
Reféns do bel prazer

Cecília vinha na contramão do mundo
Esperando alguém que a quisesse
Por mais de uma noitada
E assim a esperar e a esperar

Ela já não tão moça
De desilusões mil
Vivia farta de grosseirões a lhe cortejar
Sem nem ao menos perguntar
Como ela está

Já não cabia de tanto esperar
Passava a acreditar
Que amor assim não há

Um belo dia Cecília vinha
A caminhar em plena euforia
Sim, ele viria lhe arrebatar

Atravessou, bem distraída,
Um carro,em plena avenida,
Pôs-se a atropelar

E Cecília jamais pode encontrar
O amor de sua vida
E nunca entendera
O real viver de um carnal prazer
Pobre Cecília




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Carta de amor para ele



Eu sou aquela perdida
Que teima em te amar
Sou a insandecida
Que se afoga no teu toque de ternura

E fecha os olhos de arrepiar 
Do lembrar do teu sorriso

Sou a que te espera
Branquinho
Mesmo sabendo que nunca Virás

Sou o descompasso da realidade
Aquela pertubada do teu silêncio

A que pede a Deus
Em meio a dor fina
Que te traga ,assim de Mansinho,
Para sempre ficar