domingo, 11 de maio de 2014

Soul só

Eram 16 horas. Ela escorada na janela, sentia o vento bater e o cabelo emaranhar-se em seu rosto. Perdida em meio aos seus pensamentos, descansava os olhos ao horizonte, em busca  de uma fuga. Seu coração em batidas agônicas, clamava por socorro. Almejava fugir das armadilhas dos sangrentos desenganos.
Eram 16 horas. Ele abraçava seu violão como quem se afoga em carinho, dedilhando notas como as carícias que suas mãos não ousaram dar. Seus pensamentos voavam como pássaros livres seguindo a toada. Seu coração em batidas de blues sofria na ambivalência do seu ser. Temia o desejo intrépido de querer quem não conhecia. Sofria a dor de se esquivar do amor insistentemente quisto.
Eram 16 horas e a distância separava o afago da agonia, a prisão da liberdade. As paredes sufocavam a certeza na indecisão. Ele e ela abraçavam sozinhos a dolorosa solidão.

Ana Carolina Alencar

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Somos Quem?

(aproveitando a temática de somos macacos bananas babacas ou sei lá o q uma poesia minha de 2003)

 

Somos um

Somos ninguém

Somos algum

Somos alguém

Somos também

Somos fracos

Somos poucos

Somos bravos

Somos loucos

Somos Cada

Temos tudo

Temos nada

É a cambada do absurdo

Temos classe, ética

O principal é a estética

Somos bons

Somos maus

Fazemos sons

Fazemos caos

Temos lógica, raciocínio

Cometemos latrocínio

Somos felizes

Temos crises

Somos o que a gente quer

Mas o que queremos não sabemos o que é!

 

ANA CAROLINA ALENCAR