quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Os espinhos de Rosa

Sinto a dor cravada no peito
Dos espinhos de tão delicada flor
Que ecoa o canto triste
Das marcas de um tedioso amor

Numa ardilosa sedução
O vermelho de suas pétalas
Esvai o sangue de quem um dia
ousou toca-las
Num ato de eterna ternura

Rasgando  estrintemente a fina tez
Com seus ares pontiagudos
Da indiferença
Cultiva o som do grito
No seu singelo silêncio

Fogo Morto


(  poesia selecionada entre as cem melhores do VI TOC140 realizado pela fliporto):

Amaro amago sangrando Ódio no engenho
Que se lua fosse Nossa Senhora
 Bendito seria José Lins do Rêgo

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O eu impulsivo


As vezes triste
As vezes feliz
As vezes insana, outras coerente
Metade uma, dor
Outra anestesia
Verdade, cólera e angústia
Inteira liberdade
Inteira ventania
Mas sempre eu

Tem dias que a solidão me invade
E busco em ti, doce desconhecido,
O abrigo do meu tormento
Perdoa-me se não sei medir as palavras
Se enlouqueço feito tempestade

É que tua voz pulsa meu peito
Derrama lágrimas
Confunde sentimentos
É a força propulsora que liberta
O meu eu sozinha

Mas vai passar...

Logo adormecerá esse meu intempestivo
Serei então toda anestesia
E o teu canto não mais me atormentará

Tolera mais um pouco desse meu eu no teu
Que perigo eu não te ofereço
Minhas unhas arranham
Tão somente a mim

Deixa esse vendaval passar
E vai chegar assim bem de mansinho
um aconchego sereno e doce
Que faz  esse meu coração repousar