sábado, 27 de dezembro de 2014

Poema de ninar travessura

Ah, menino do avesso
Que faz estripulia
Com o meu coração

Ah, menino travesso
Esconde no verso
O inverso da canção

E a saudade a me desmantelar
No reverso da sua folia
Que não se apega a me bagunçar
E me enche de agonia

Ah, menino boêmio
De amores secretos
Desejos discretos
a me atormentar

Ah, menino
Há de um dia
De tantas prendas
Fatigar
E enfim se aquietar
Nesse meu colo de amar

domingo, 23 de novembro de 2014

Perdão Ana

Menina de olhos de estrela
Perdoa por te ter pelas profundezas
Rasgos sem emenda

Perdoa menina,
O desatar dos teus sonhos
Que provoquei quando não olhei em ti

Perdoa o afrouxar do teu sorriso
Quando me fiz de guizo
Pra outra me balançar

Perdoa, Ana 
Por não te ter em meus braços
E não te fazer mulher

Perdoa por não te amar como merecia
E perder-te no esvair da fé 

sábado, 1 de novembro de 2014

Resignação e o amor

A duras penas aprendi o verdadeiro significado do amor. Amar não é posse, amar também é deixar partir. As vezes somos muito egoístas querendo que o ser amado permaneça sempre em nossas mãos. Mas não podemos permitir que o motivo de nossa adoração cumpra as penas em um cárcere que impomos a ele.
Amar é permitir que outro faça suas próprias escolhas, que siga o caminho que quiser seguir, mesmo que esse caminho implique em uma distância.
Cabe a nós aceitar e se conformar que a felicidade do outro independe da nossa. Não é simples ter esse tipo de atitude, mas deve ser um exercício diário aprendermos a lidar com essas circunstâncias.
Devemos nos contentar com a gratidão do outro, que inúmeras vezes não existe, mas que precisamos crer que possa existir. Devemos nos alegrar com a felicidade de quem se ama em exercer o livre arbítrio, sem que isto gere um conflito ou um desconforto.
 Precisamos ter a consciência que nós algum dia seremos o amor de alguém e sim com toda certeza gostaríamos de "conquistar" essa tal liberdade sem que isso tenha algum peso maior.
A dor sempre há de existir, pois é muito difícil para qualquer ser humano aceitar a rejeição do outro. As vezes procuramos incessantemente um insignificante motivo pro outro não gostar da gente, e as vezes nem mesmo existe alguma razão, porque o sentimento é irracional.
Com todas essas considerações é inevitável não pensar em uma música do Cícero que tem o seguinte trecho " Ah, se tu soubesses, quanto machuca Não Amaria mais ninguém"
Até pouco tempo atrás concordava com isso, mas penso diferente agora:
 Mesmo com tudo isso amaria sim! Amaria porque amo e isso é incondicional em mim. Amaria porque a dor também é amadurecimento. Amaria porque algum dia nesse meu amor despretencioso o ser amado pode enfim escolher me amar também ❤️

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Nosso tímido amor

Quando você passa
Meu coração dispara
Olho pra você
E você disfarça

Quando você me olha
Fico sem graça
Penso em dizer
Mas fico envergonhada

Ah, será que um dia
Conseguiria
Dizer que te amo?

Será que você
Assim sem querer
Me ama também?

É sempre assim
Tão dentro de mim
Nosso tímido amor

domingo, 26 de outubro de 2014

Uma pausa... Por favor

  Alguns acontecimentos na minha vida das últimas semanas me fizeram repensar nas atitudes que vamos tomando na vida.
    Na verdade, hesitei diversas vezes escrever esse texto...Mas não posso negar que isso estava me sufocando imensamente.
Ontem me perguntaram se eu já tinha visto algum paciente morrer. Respondi que já havia visto vários... Ela então afirmou... Ah, então você já está acostumada! Então eu parei pra pensar ... Eu acho que eu nunca vou me acostumar.
A gente vive protelando a felicidade para o amanhã. Amanhã este que talvez não aconteça.No entanto, a gente faz planejamento para no futuro regojizar das conquistas, mas para isso abdicamos dos pequenos prazeres que poderiam nos fazer plenos.
Nos perdemos em questões insignificantes e não damos ouvidos ao que diz nosso coração, sempre imaginamos que haverá a possibilidade de resolver nossos problemas.

Outro dia conheci uma pessoa que me contou dos seus sonhos e que faltava poucos dias pra realizá-lo, mal sabia ela que só teria mais um dia de vida.
É uma pena que vivamos nessa ambivalência.
Há muito tempo não sei o que é ter fim de semana, sei que essa correria tem prazo pra pelo menos melhorar, mas as vezes dá um medo.




  

sábado, 25 de outubro de 2014

A outra

A outra
À margem
Da mesa
Sobremesa
Desejo
Oculto
Ao Ímpeto de ter

Ana Carolina Alencar

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Ô Moreno

Ô moreno,
Desde que te conheci
Voltei a sonhar
Um sonho perdido no medo de amar 

Ó moreno,
Antes de ti
Tudo era tristeza
Rios de lágrimas a desabar

Mas foste tu moreno
Que secaste o rio perene de mágoas 
E me mostraste o colorido da manhã

Ô moreno,
Quando vais bem longe
Meu coração aperta
Tenho medo da alegria debandar
Mas quando voltas sorrindo
Faz minha alma sossegar

Ó moreno,
Fica pra sempre comigo
Pra nunca mais eu deixar de
Sonhar


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

SimpliCIdade


Não sei nada sobre você
Não qual sua comida favorita
Não sei o nome da sua primeira namorada
Não o que pensa antes de dormir
Nem o que espera ao acordar
Não imagino seus planos

Não sei qual as cores do seu dia
Será que está feliz ou triste neste instante ?
Não sei o que te faz sorrir
Nem porque chora

Será que se sente sozinho?
Não faço idéia de quantos livros leu
Quais as músicas que  lhe tocam
E as que detesta
Quantos amores deixou no caminho
E quantos ainda não esqueceu

Quantas mulheres em vão sonharam
E quantas fizeram - no se perder

Só  sei que nossos destinos hão de se cruzar
E você é a pessoa que pela vida esperei
E que vem vindo ao meu encontro
E de braços abertos estou a lhe aguardar

Pra viver toda simplicidade que um dia ousamos sonhar!

sábado, 9 de agosto de 2014

Canto de despedida ao Pássaro

De todos os bichos
Que a mim rodearam
Foste tu, passarinho 
Que enfim roubaste meu coração 
Mas o zelo com que me guarda
Não permitiu a ti pousar em minhas mãos

Embora teu canto transborde em mim
A sublime sensação do teu carinho
Sei que em outros ninhos queres pousar
E que a mim resta tão somente e ao longe
O teu vôo observar

Lembrar ao te buscar no horizonte
Do teu destino de voar
E ao peito pulsante
A inquieta esperança 
De teu coração aprisionar

Ana Carolina Alencar

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Ao te ver

Te aquieta coração
Deixa de ver amor
Onde é mera cortesia

Sossega teu bater palpitante
Ao ver passar quem  ao longe
Admira outras paisagens

Entenda que teu compasso
Deve descansar meu peito
De tanto desengano
E pousar em que me dê a paz

domingo, 15 de junho de 2014

Demasiado

Ó mundo cruel!
Que faz ver-te a cada dia
Num sorriso estonteante
Que atiça a vontade de meu peito
Pousar em teu colo
Em demasiada folgúra
No entanto
O pensamento que voa
Traz de volta a realidade
De que teus desejos
São pra outra anfitriã de teus afagos
E me acabo na melancolia
Das mazelas deste meu coração 
Tão ingênuo e apaixonado

domingo, 11 de maio de 2014

Soul só

Eram 16 horas. Ela escorada na janela, sentia o vento bater e o cabelo emaranhar-se em seu rosto. Perdida em meio aos seus pensamentos, descansava os olhos ao horizonte, em busca  de uma fuga. Seu coração em batidas agônicas, clamava por socorro. Almejava fugir das armadilhas dos sangrentos desenganos.
Eram 16 horas. Ele abraçava seu violão como quem se afoga em carinho, dedilhando notas como as carícias que suas mãos não ousaram dar. Seus pensamentos voavam como pássaros livres seguindo a toada. Seu coração em batidas de blues sofria na ambivalência do seu ser. Temia o desejo intrépido de querer quem não conhecia. Sofria a dor de se esquivar do amor insistentemente quisto.
Eram 16 horas e a distância separava o afago da agonia, a prisão da liberdade. As paredes sufocavam a certeza na indecisão. Ele e ela abraçavam sozinhos a dolorosa solidão.

Ana Carolina Alencar

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Somos Quem?

(aproveitando a temática de somos macacos bananas babacas ou sei lá o q uma poesia minha de 2003)

 

Somos um

Somos ninguém

Somos algum

Somos alguém

Somos também

Somos fracos

Somos poucos

Somos bravos

Somos loucos

Somos Cada

Temos tudo

Temos nada

É a cambada do absurdo

Temos classe, ética

O principal é a estética

Somos bons

Somos maus

Fazemos sons

Fazemos caos

Temos lógica, raciocínio

Cometemos latrocínio

Somos felizes

Temos crises

Somos o que a gente quer

Mas o que queremos não sabemos o que é!

 

ANA CAROLINA ALENCAR

 

domingo, 13 de abril de 2014

Síntese

Tento definir com palavras o que sinto agora
Mas no trava língua dos sentimentos
São as lágrimas que falam
Lágrimas que lavam o insulto
Sangram as feridas
Revelam as dores sufocadas

Olhos que buscam abrigo
Sedentos de carinho
Pele que pede o toque gentil
E arde em arranhaduras
Deixadas pelo bêbado fulgor egoísta
Do satisfazer e só
E o Sol ilumina a fúnebre solidão 

sábado, 5 de abril de 2014

Prece da Paz

Menino de pássaros nas costas
Recebe as noites de sonhar em braços
Que guardei pra você

Menino de sorriso azul
E sábados embotados
Recebe os domingos desabotoados
Que desenhei pra você

Menino de colorir balões
Afaga tuas angústias em meu peito
E vela os engôdos da paz 

Ana Carolina Alencar

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Os espinhos de Rosa

Sinto a dor cravada no peito
Dos espinhos de tão delicada flor
Que ecoa o canto triste
Das marcas de um tedioso amor

Numa ardilosa sedução
O vermelho de suas pétalas
Esvai o sangue de quem um dia
ousou toca-las
Num ato de eterna ternura

Rasgando  estrintemente a fina tez
Com seus ares pontiagudos
Da indiferença
Cultiva o som do grito
No seu singelo silêncio

Fogo Morto


(  poesia selecionada entre as cem melhores do VI TOC140 realizado pela fliporto):

Amaro amago sangrando Ódio no engenho
Que se lua fosse Nossa Senhora
 Bendito seria José Lins do Rêgo

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O eu impulsivo


As vezes triste
As vezes feliz
As vezes insana, outras coerente
Metade uma, dor
Outra anestesia
Verdade, cólera e angústia
Inteira liberdade
Inteira ventania
Mas sempre eu

Tem dias que a solidão me invade
E busco em ti, doce desconhecido,
O abrigo do meu tormento
Perdoa-me se não sei medir as palavras
Se enlouqueço feito tempestade

É que tua voz pulsa meu peito
Derrama lágrimas
Confunde sentimentos
É a força propulsora que liberta
O meu eu sozinha

Mas vai passar...

Logo adormecerá esse meu intempestivo
Serei então toda anestesia
E o teu canto não mais me atormentará

Tolera mais um pouco desse meu eu no teu
Que perigo eu não te ofereço
Minhas unhas arranham
Tão somente a mim

Deixa esse vendaval passar
E vai chegar assim bem de mansinho
um aconchego sereno e doce
Que faz  esse meu coração repousar