segunda-feira, 16 de maio de 2011

Trecho de um livro que estou escrevendo...

"Os carros passando num vai-e-vem desenfreado, as pessoas apressadas para chegar a lugar algum, a vida transpassando com um olhar de uma janela. Todos sós, juntos como uma unidade produtiva, todos juntos como se estivem sozinhos. O frio permeava a cidade e parecia amplificado pela arquitetura construída pelos vários laços urbanos. O mundo era dos ninguéns que traçavam rumos sem nenhum fim"

Ana Carolina Alencar

ANGÚSTIA

É um texto que mostrei para um professor do cursinho, e ele não gostou muito, não sei bem porque. O curioso é que já tentei mudar várias vezes, mas nada me agrada mais que sua forma original! E depois de tantos anos somente hoje pude modificar

Sou um anjo
Cujas asas foram laçadas ao mar
Sem elas não pude mais voar

Quando menina
Sonhava em ver minhas asas a ruflar
Mas foi justo elas
Que vieste arrancar

Por que os meus anseios vieste findar ?
Por que em teus olhos o desprezo pude enxergar?

Hoje choro, fico triste
Em um vespeiro fui me abrigar
E embora sinta angústia que causaste
Meu coração, a ti foi dedicar-se

Por que busco na mesma mão
Que tanta dor me causou
o amor para minha salvação ?

A vida esconde as respostas
Nos veste de perguntas
E nos cobre de desejos

Sim, sufocaste meus intentos
Mas deixaste a esperança
De em teus olhos minhas asas recriar

Antes queria ser a lua
Para teus olhos me admirar
Mas Deus me fez anjo
Então quis voar para em teus braços repousar

Mas que adianta ser anjo sem asas ?
E sem ter um ninho para me guardar?
Deveria ter sido sereia
Pra teus olhos cegar

Ana Carolina Alencar

sexta-feira, 6 de maio de 2011

LINGUAGEM

Quis responder-te
Mas calou-se minha voz
Palavras cujo som só consigo deglutir
Pensamentos fogem à língua
Tanto eu queria dizer
E só com olhar pude falar
Ana Carolina Alencar

Rondon! Depoimento que escrevi para o Jornal da faculdade : Newsceo


 
                    O tempo RODOU num instante na RODA do meu RONDON!

"Hoje, temos a impressão de que tudo começou ontem. Não somos os mesmos, mas somos mais juntos. Sabemos mais um do outro. E é por esse motivo que dizer adeus se torna tão complicado. Digamos, então, que nada se perderá. Pelo menos, dentro da gente."


Indizível. Dentre os inúmeros vocábulos existentes, essa é melhor definição para a participação no Projeto Rondon. Cheios de esperanças e expectativas fomos nós, uns para Gararu outros para Vargem e, apesar de ter acontecido duas reuniões antes a fim de familiarizarmo-nos com o que iríamos vivenciar, os acontecimentos ocorridos foram uma surpresa reservada pelas circunstâncias.
Eram duas iniciativas distintas, Vargem tinha um propósito e Gararu outro, mas havia algo em comum nas duas expedições: VONTADE! Todos nós, selecionados e professores, tínhamos o brilho no olho do fazer acontecer, e fizemos. Cada qual ao seu modo, da forma mais viável e cabível.
Enquanto a proposta do Rondon Regional era mais assistencialista, o Rondon Nacional visava uma questão mais sociocultural e ambos buscavam a Promoção à Saúde, mas não à saúde banal de somente cuidar do corpo doente, mas à saúde que engloba todos os espectros humanos (alma, corpo, educação, cultura e cidadania), àquela que preconiza uma melhor qualidade de vida e não meramente a cura de uma doença.
Ao chegarmos aos nossos destinos nos deparamos com realidades contrastantes da que encontramos costumeiramente. Em Vargem, há poucos quilômetros de São Paulo (esse fato é o mais intrigante), encontramos uma população apática cujo grito por seus direitos é silenciado por iniciativas políticas. No entanto, um povo cuja face reflete a necessidade e precariedade em que vivem. Em Gararu, a população era diferente, talvez fosse esse Quê nordestino tanto citado por inúmeros escritores e principalmente por Graciliano Ramos e Guimarães Rosa (por essa razão fiz questão de iniciar o texto com um trecho deste ilustre escritor). Era a força e a coragem do sertanejo que permeava a belíssima paisagem às margens do grandioso e enigmático Rio São Francisco, ouvindo ao longe a voz tímida de diversos  Fabianos dizerem convictos “Fabiano, você é um homem” com a garra que somente verdadeiros sertanejos podem  ter.
Ao final das expedições, os Rondonistas de Vargem deixaram a semente da força de vontade nos solos férteis da cidade interiorana,cujas lágrimas da saudade ajudarão a brotar a flor da comoção social. E os Rondonistas de Gararu, reuniram todos os Fabianos e transformaram a voz tímida dos sertanejos em um grito estrondoso “Fabiano, você é bem mais que um homem você é um SER HUMANO!”







Ana Carolina Alencar