segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pecados da alma

Quatro olhos, dois sorrisos
Pretensões inocentes
Eram gritos
Eram lágrimas
Eram dores e risos
Sonhos despedaçados

Calada fiquei
Sozinha chorei
Ao fogo me entreguei
À mentira me vendi

Meu silêncio é uma navalha
Lacera os pulsos da minha alma
Teu olhar canalha
Retira sossego, revira minha calma
Pequei, me arrependi
À tua boca me rendi
Bricaste com o desejo e minha punição
Foi rasgar em ti meu coração

Ana Carolina Alencar

A definição do " Eu"

Entre folhas e livros
Guardam-se olhos cansados
Olhos que passam e repassam
Memorizam
Cada verso, cada linha...

De que valem teoremas e teorias ?
Qual significado dos números ?
O que há dentro de mim?

O relógio aponta as horas
Mãos confundem livros
Canetas, lápis, coração
A luta contra o que não sei

Olho pra mim
E não me reconheço
Entre fórmulas e contas
Qual é a fórmula da minha vida ?
Que conta resulta em mim?

Tantos erros, tantas rasuras
Qual borracha se usa nas linhas do destino?
Tantas redações sem tese
E os amores para onde vão ?
Qual é o sujeito da minha oração ?

Ana Carolina Alencar