sábado, 26 de fevereiro de 2011

Eternamente
Às vezes o vazio me consome
E as lembranças não se apagam
Meu coração agoniza
Entre tantas feridas abertas
Entre sonhos e desejos despedaçados
Onde a realidade mortal
Se consagra eterna!
Ana Carolina Alencar

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Homenagem à São Paulo

Fiz para um concurso de poesia pra homenagear São Paulo:

           
           

                        À CIDADE NATAL

              Ah!São tantas as nossas lembranças
A Avenida São João era apenas criança
          Quando  te conheci

           O rio Pinheiros era só um menino Peralta
                Quando já sentia a sua falta
   O Pacaembu nem existia
       Quando  loucamente por você já torcia
                   Foi no Parque Ibirapuera

             Que Percebi quem realmente era
                    A Avenida Paulista ainda era tão calma
            E já  realizava a minha alma
               Quando por ti vivia orgulhoso
                O Bixiga nem era tão famoso
              A Sé nem era frequentada
             Quando já era grande e amada
                    São Paulo
Ana Carolina Alencar

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

No Ato

Antes de tudo gostaria de pedir desculpa pela demora, mas é que além de estudar pra prova que fiz na segunda, estava trabalhando numa poesia mais complexa, na verdade reformulando, tive que ler algumas coisas mais de Nelson Rodrigues, é o tema que permeia a poesia.
Sempre me impressionou as histórias absurdas que saiam da cabeça de Nelson  e ao mesmo tempo como é prazeroso fazer as peças porque a linguagem é muito emotiva e palpável o dá uma ambiguidade na obra desse grande escritor, baseado nisso lá vai minha OBRA SOBRE NELSON

No ato

Subo no palco
Escuto silêncio
Deslizando no Asfalto
Lá estava eu
Beijando Nelson

Abrem-se as cortinas
Nas sinuosas tramas de família
Lá estava eu
Serpenteando Nelson

No mais etéreo
Da consciência
Em marcha nupcial
Lá estava eu
Vestindo Nelson

Da forma mais ordinária
Tão bonitinha...
Lá estava eu
Castigando Nelson
e despindo Rodrigues

Ana Carolina Alencar
* o que está em vermelho é uma brincadeira com os nomes de algumas das peças de Nelson Rodrigues

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

História Antiga

Resultado da aula de cirurgia no Mario Covas ano passado... olha como eu estava prestando atenção...
História Antiga

Vinha sozinha
Por uma estrada vazia
Vinhas solitário e tristonho
Por uma viela da vida

Num certo dia , cruzamos
Amamos, Magoamos, Partimos
Não houve beijo, não houve palavras
Nossos votos foram selados por olhares
Nossas mágoas provadas com dissabor

Hoje, ando solitária e tristonha
Pela rua da vida
E caminhas não mais sozinho
Pela estrada vazia

Um olhar,  um amor, uma dor
Um adeus...
Jamais meus lábios serão teus !
Ana Carolina Alencar

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Vício




Vício



            Nesse instante o inexplicável e inconfundível sinto
            Que abstrai a alma e cala minha voz
            Meu canto machucado ressoa a nota mais fúnebre
            Da orquestra fantasma,mais conhecida como solidão!
           
            Doce vento frio que me envolve num olhar
            Me leva a acreditar que outros tempos virão
            Mas tristonho, um dia, meu coração tocou uma forte canção
            Cálido amor que me transtornou
            E hoje, apenas escuto a voz do silêncio
            Que não desafina em nenhum segundo, Segundo algum!

            Ah! Brando veneno que consome meu espírito
            E obscurece meu destino, desejaria nesse momento não depender de ti!
           
            Agora de nada adianta lamentar
            Nem tão pouco por mim adiantará chorar
            Que se fizesse do tempo algo precioso
            Jamais desfrutaria de tal vício

            Minha pele empalidece a cada minuto
            Tenuamente meus lábios enrubrecem
            A espera de um toque com ternura
            E meu corpo é irrigado por um sangue frio
            Que congela meu coração
                       
            Não sou capaz de mais nada a não ser me render
            Me render à vida e deixar que ela faça de mim o que quiser
            Mesmo que me traga um trágico destino
            Porém não grego, não cause a morte
            Pois já não suporto viver sem de nada saber
            Não resistiria a morte que calaria
            Eternamente a  minha alma
            E o vazio já não seria solidão.

            Mas que deixe a morte de lado
            Pois esta não virá tão cedo
            Jovem ainda sou
            Mesmo que sofra, meu tempo aqui não terminou!

            O caso é que vivo em constante conflito
            Possuo a mais terrível de todas as doenças
            E mais incurável de todas
            Que não há remédio algum
            Que alivie essa dor
            Meu problema é o amor
            Que de mim se apoderou
            Me levou aos céus e hoje me abandonou!
Ana Carolina Alencar

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Medicina e Arte

Ano passado no primeiro dia de aula do teatro eu falei que fazia medicina a pergunta de todos no momento foi " O que você está fazendo aqui ?" porque pra eles e pra muita gente medicina e arte são coisas nada a ver... A partir daí comecei a pensar no que havia nos dois lados que me atraiam tanto e comecei a buscar pontos em comum, porque a pergunta da minha vida era quando eu estava no teatro " O que eu estou fazendo aqui?" e quando estava na medicina também, aos poucos tudo ficou mais claro na minha cabeça porque eu gostava da mesma coisa nos dois então não havia mais uma contradição...

Es que surgiu então a oportunidade de juntar a arte e a medicina num concurso literário do Congresso Paulista de Educação Médica e fazer isso já não era mais tão difícil porque era uma pergunta que permeou a minha vida ano passado e o resultado foi o seguinte :

Mediensinarte
Dois extremos estranhamente se tocam
Misteriosamente se enlaçam
Dois caminhos se cruzam
Formando um só

De um lado a razão
Do outro a expressão
O curioso expresso do ser são
A cura doentia e dor cessam
Num ato cômico de simplesmente ser

O subjetivo e o técnico
Confrontam-se nas beiras
Um ao outro ensina
Que metade de mim é medicina
E metade é arte

Que num embate covarde
Descobrem-se sem fronteiras!
Ana Carolina Alencar

E assim fui uma das ganhadoras desse concurso, não esquecendo de parabenizar o Alexandre (Nando) que também ganhou com um ótimo trabalho ( mas não estou aqui pra postar o texto dele)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

III Reich

Em julho do ano retrasado fim uma oficina na Casa das Rosas em que se mesclava dramaturgia e poesia, dentro dessa oficina uma das atividades era transformar um texto de dramarturgia em poesia. Era um trecho extraído da peça TERROR E MISÉRIA NO TERCEIRO REICH de Bertold Brecht ( um autor que eu particularmente gosto muito!) e então crei a poesia abaixo :

                           III REICH

            Sob o céu enegrecido
            A embriaguez vaga na rua
            Dois abutres espelhando águias
            Onde a lógica não tem vez
            Ouve-se tiros à janela
            Na Alemanha do talvez
            Um oficial suplica socorro
            Um velho morre
            E quem é ele ?

Ana Carolina Alencar