quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A brisa

A Brisa

A Brisa toca meu rosto
Sinto a expressão desfigurar
Minha alma toma gosto
De deitar-se ao mar

A Brisa toca meu corpo
Com forma de tuas mãos
Meus olhos absortos
Perdidos marejam

Peço docemente
Para a brisa partir
Levar o que meu coração sente
Para dentro de ti

E a brisa em franca destreza
Põe-se a soprar
E com seus dons da natureza
Entra em ti feito ar

Inspira,assim,bem fundo
Pois sob teu peito
Há de me encontrar !

Ana Carolina Alencar

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Espelho

Duas faces do meu EU se encontram
Estranham-se
Tocam-se como linhas de uma trama
Há chuva lá fora
E o medo vem
Silêncio no meu quarto
E  eu tão sozinha
Na companhia de mim

Ana Carolina Alencar

Canção Interior

Em teus luminosos acordes
Descubro-me inteira
E espelho-me em mim
Mas intimamente mulher

Ana Carolina Alencar

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Amargo

Amargo//
Seu sorriso é o cinismo/
Olhos do abismo/
Ludibriam-me/
 Mas é do amargo desprezo/
Que sua Persona/
Costuma se nutrir

Ana Carolina Alencar

domingo, 7 de agosto de 2011

O amor segundo a neurociência

 Cansei da sua artimanha pavloviana
 Da sua impregnação na minha área hipocampal
 Dos seus jogos e encantos de cigana
 Da sua inocência com ar imperial

Você com essa sua estratagema
Já me seduziu outrora
No entanto, ativar a minha área postrema
É só o que consegue agora

Baby, eu sou ser racional
Não duvide da votilidade
Do lobo frontal

Saia já da minha vida
Sem mais, sem despedida
Porque eu cansei de ser seu cão

Ana Carolina Alencar

sábado, 30 de julho de 2011

O ébrio equilibrista

  Sedento de amor
  Ele subiu na corda
  Deu três passos
  E num instante
  Sua perna bambeou

  Lembrara do sorriso dela
  Daquele beijo com lascívia
  Que sua boca jamais provou

  Num leve devaneio
  Sua mente escorregou
  Sentira a embriaguez
  Era o perfume da ingênua flor

  Quis se segurar
  Deteve o passo
  Mas ébrio o coração
  Estremeceu

  Num suave tombo
  Posou, então, a sua alma
  Nas mãos daquela
  Que lhe embebeu

  Fez-se assim
  Ébrio
  O equilibrista

Ana Carolina Alencar

quarta-feira, 27 de julho de 2011

BREVE DESATINO

               
                   Não deixe o acaso
                   Ser mero engano
                   Não permita só a dor
                   Embalar o meu sono

                   Não deixe o destino
                   Ser meu breve desatino
                   Ao apagar a minha trilha
                   Da sua estrada

                   Não deixe nosso ledo encontro
                   Torna-se leviano
                   E ainda que frívolo e singelo
                   Seja  nosso amor
                   Faça de mim
                   A sua mulher

Ana Carolina Alencar

terça-feira, 26 de julho de 2011

O cantor da rádio AMor

                Com meu coração em pedaços
                Ouço tua voz no rádio
                Lembro-me dos teus olhos nos meus,
                Das minhas lágrimas
                Que transformaste em canção

                Meu corpo hoje desvencilhado do teu
                Segue o rastro que deixaste
                No meu caminho

               Embebo-me nas tuas letras e melodias
               Na espera de um dia não ser só
               Imaginação

              A lembrança do toque com ternura,
             Antes acalento da minha alma,
             Despedaça meu coração
  
             E assim passam as tardes
             Ouvindo
             O cantor da rádio AMor

                

                    Ana Carolina Alencar

          

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O espírito da Amizade

Dentro dos corações
A tocha acende as emoções
A busca está traçada
Pela força e dedicação
Todos em uma só meta
O espírito da união
Na disputa nem sempre a vitória é certa
Mas o importante é a cooperação
Entre os jogos e expectativas
Vão driblando as barreiras
Adversários e companheiros
Todos juntos são guerreiros
Esperança, garra e solidariedade
Contituem o interamizade!

Ana Carolina Alencar

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Frase de amor

Sinto-me tão perdida nesse imenso mar dos teus olhos azuis, que até mesmo o meu futuro é mais certo que o teu olhar...

Ana Carolina Alencar
( lembrança de um momento de ternura !)

O CARA

             Esse cara tem a cara de um artista da TV
             Tem os olhos da cor do gosto comum
             É o sonho de toda menina
             Perdição de qualquer mulher
          
             Esse é o cara !

              Minha cara,
              Sabe quanto custa ser um cara,
              Estilo-Padrão, homem ideal ?
              Não faça essa cara,
              Porque esse sim
              É o cara !



    Ana Carolina Alencar

sábado, 25 de junho de 2011

Carta ao Mestre

Essa poesia tem um significado muito importante pra minha adolescencia e pra minha vida



                Da paisagem fez-se poesia
                Dos teus pensamentos o mistério
                Do mistério meu encanto
                Tens a arte da sabedoria

                Mestre, ensina-me o ser
               Descobre em mim a arte de viver
               Não faças das palavras mero desencontro
               Deixa em ti eu me perder

               Do mito fez-se o homem
               Do homem o desejo
               Cala-me com teus olhos
               Faz de mim tua perdição

               Deixa eu acreditar por um instante
               Que guardas em mim tua vida
               Mesmo que ao cair da realidade
               No leito do amor de verdade
               Deixes teu coração repousar

                         Ana Carolina Alencar
                 

SINCERO

     Mais que rimar coração com paixão
     Quero cruzar meu olhar com teu
     
     Mais que dizer versos métricos
     Pra te seduzir
     Quero sentir o gosto
     Da minha boca na tua

     Antes de te vestir
     De sonetos e serenatas
     Quero te despir
     Com meus desejos e minhas mãos

     E se para ti compuser uma canção
     É para em teus braços
     Eu poder repousar



            Ana Carolina Alencar
     

Conflitos em tese

Dedico essa poesia ao EREM


Em tempos de guerra
Não quero estar em meio ao tiroteio
Não subirei ao topo da serra
E nem me alinharei ao mato rasteiro

Em tempos de paz
Quero o conflito de direito
Cujo respeito
É de mais valia que o controle perspicaz

Quero viver o "Não sei"
Sem negar meu dever de pensar
Mas a construção do que serei
Exige refutar o acreditar

Somente assim
Dentro do meu desalinho
Renderei o meu "sim"
À um certo caminho

E VIVA A REVOLUÇÃO!


Ana Carolina Alencar

quarta-feira, 22 de junho de 2011

POESIA SEM TÍTULO

Se me perguntarem algum dia
O que vale a pena na vida
Cofesso, demoraria a responder
Mas diria uma só coisa:

Mesmo que nas minhas crenças
Prevaleça o incerto
E a verdade se esfarele
Diante de meus olhos

Ainda terei uma certeza:
Vale a pena viver !

Mas não essa vida banal
da busca insana da felicidade

Vale a pena viver
Porque da minha janela o amanhecer
É mais saboroso
E as flores desabrocham tão suaves

Porque o sol aquece-me no verão
E eu ainda posso amar
E amo!

Amo as flores do meu jardim
Amo estrelas e querubins

E o anoitecer da minha janela
Também é tão saboroso
Que sinto o gosto de viver!

Ana Carolina Alencar

LUTO

Hoje, e somente hoje
Quero a roupa mais preta que houver
E mais disforme que se puder ver

Hoje, e somente hoje
Jaz aqui um sonho
Sonho este que me guiou até aqui

Hoje, só hoje
Rendo-me ao leito do horror
Até o amanhecer

Não quero sorriso
Quero sentir dor
Mas não a fingida
Que esconde de si
Que  deveras é dor!

Ana Carolina Alencar

NUM TEMPO QUALQUER

Numa tarde qualquer
Os carros passam
As crianças correm
E os adultos prendem-se em si

Numa tarde qualquer
Você, hoje solto de mim,
Lembrará do meu nome
E descobrirá o amor
Que o tempo guardou

Em um lugar qualquer
Buscará meu olhar
Que no tempo se perdeu

Em um lugar qualquer
Arrepender-se- á de um dia
Ter negado o amor que era só seu!

ANA CAROLINA ALENCAR

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Trecho de um livro que estou escrevendo...

"Os carros passando num vai-e-vem desenfreado, as pessoas apressadas para chegar a lugar algum, a vida transpassando com um olhar de uma janela. Todos sós, juntos como uma unidade produtiva, todos juntos como se estivem sozinhos. O frio permeava a cidade e parecia amplificado pela arquitetura construída pelos vários laços urbanos. O mundo era dos ninguéns que traçavam rumos sem nenhum fim"

Ana Carolina Alencar

ANGÚSTIA

É um texto que mostrei para um professor do cursinho, e ele não gostou muito, não sei bem porque. O curioso é que já tentei mudar várias vezes, mas nada me agrada mais que sua forma original! E depois de tantos anos somente hoje pude modificar

Sou um anjo
Cujas asas foram laçadas ao mar
Sem elas não pude mais voar

Quando menina
Sonhava em ver minhas asas a ruflar
Mas foi justo elas
Que vieste arrancar

Por que os meus anseios vieste findar ?
Por que em teus olhos o desprezo pude enxergar?

Hoje choro, fico triste
Em um vespeiro fui me abrigar
E embora sinta angústia que causaste
Meu coração, a ti foi dedicar-se

Por que busco na mesma mão
Que tanta dor me causou
o amor para minha salvação ?

A vida esconde as respostas
Nos veste de perguntas
E nos cobre de desejos

Sim, sufocaste meus intentos
Mas deixaste a esperança
De em teus olhos minhas asas recriar

Antes queria ser a lua
Para teus olhos me admirar
Mas Deus me fez anjo
Então quis voar para em teus braços repousar

Mas que adianta ser anjo sem asas ?
E sem ter um ninho para me guardar?
Deveria ter sido sereia
Pra teus olhos cegar

Ana Carolina Alencar

sexta-feira, 6 de maio de 2011

LINGUAGEM

Quis responder-te
Mas calou-se minha voz
Palavras cujo som só consigo deglutir
Pensamentos fogem à língua
Tanto eu queria dizer
E só com olhar pude falar
Ana Carolina Alencar

Rondon! Depoimento que escrevi para o Jornal da faculdade : Newsceo


 
                    O tempo RODOU num instante na RODA do meu RONDON!

"Hoje, temos a impressão de que tudo começou ontem. Não somos os mesmos, mas somos mais juntos. Sabemos mais um do outro. E é por esse motivo que dizer adeus se torna tão complicado. Digamos, então, que nada se perderá. Pelo menos, dentro da gente."


Indizível. Dentre os inúmeros vocábulos existentes, essa é melhor definição para a participação no Projeto Rondon. Cheios de esperanças e expectativas fomos nós, uns para Gararu outros para Vargem e, apesar de ter acontecido duas reuniões antes a fim de familiarizarmo-nos com o que iríamos vivenciar, os acontecimentos ocorridos foram uma surpresa reservada pelas circunstâncias.
Eram duas iniciativas distintas, Vargem tinha um propósito e Gararu outro, mas havia algo em comum nas duas expedições: VONTADE! Todos nós, selecionados e professores, tínhamos o brilho no olho do fazer acontecer, e fizemos. Cada qual ao seu modo, da forma mais viável e cabível.
Enquanto a proposta do Rondon Regional era mais assistencialista, o Rondon Nacional visava uma questão mais sociocultural e ambos buscavam a Promoção à Saúde, mas não à saúde banal de somente cuidar do corpo doente, mas à saúde que engloba todos os espectros humanos (alma, corpo, educação, cultura e cidadania), àquela que preconiza uma melhor qualidade de vida e não meramente a cura de uma doença.
Ao chegarmos aos nossos destinos nos deparamos com realidades contrastantes da que encontramos costumeiramente. Em Vargem, há poucos quilômetros de São Paulo (esse fato é o mais intrigante), encontramos uma população apática cujo grito por seus direitos é silenciado por iniciativas políticas. No entanto, um povo cuja face reflete a necessidade e precariedade em que vivem. Em Gararu, a população era diferente, talvez fosse esse Quê nordestino tanto citado por inúmeros escritores e principalmente por Graciliano Ramos e Guimarães Rosa (por essa razão fiz questão de iniciar o texto com um trecho deste ilustre escritor). Era a força e a coragem do sertanejo que permeava a belíssima paisagem às margens do grandioso e enigmático Rio São Francisco, ouvindo ao longe a voz tímida de diversos  Fabianos dizerem convictos “Fabiano, você é um homem” com a garra que somente verdadeiros sertanejos podem  ter.
Ao final das expedições, os Rondonistas de Vargem deixaram a semente da força de vontade nos solos férteis da cidade interiorana,cujas lágrimas da saudade ajudarão a brotar a flor da comoção social. E os Rondonistas de Gararu, reuniram todos os Fabianos e transformaram a voz tímida dos sertanejos em um grito estrondoso “Fabiano, você é bem mais que um homem você é um SER HUMANO!”







Ana Carolina Alencar

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pecados da alma

Quatro olhos, dois sorrisos
Pretensões inocentes
Eram gritos
Eram lágrimas
Eram dores e risos
Sonhos despedaçados

Calada fiquei
Sozinha chorei
Ao fogo me entreguei
À mentira me vendi

Meu silêncio é uma navalha
Lacera os pulsos da minha alma
Teu olhar canalha
Retira sossego, revira minha calma
Pequei, me arrependi
À tua boca me rendi
Bricaste com o desejo e minha punição
Foi rasgar em ti meu coração

Ana Carolina Alencar

A definição do " Eu"

Entre folhas e livros
Guardam-se olhos cansados
Olhos que passam e repassam
Memorizam
Cada verso, cada linha...

De que valem teoremas e teorias ?
Qual significado dos números ?
O que há dentro de mim?

O relógio aponta as horas
Mãos confundem livros
Canetas, lápis, coração
A luta contra o que não sei

Olho pra mim
E não me reconheço
Entre fórmulas e contas
Qual é a fórmula da minha vida ?
Que conta resulta em mim?

Tantos erros, tantas rasuras
Qual borracha se usa nas linhas do destino?
Tantas redações sem tese
E os amores para onde vão ?
Qual é o sujeito da minha oração ?

Ana Carolina Alencar

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Eternamente
Às vezes o vazio me consome
E as lembranças não se apagam
Meu coração agoniza
Entre tantas feridas abertas
Entre sonhos e desejos despedaçados
Onde a realidade mortal
Se consagra eterna!
Ana Carolina Alencar

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Homenagem à São Paulo

Fiz para um concurso de poesia pra homenagear São Paulo:

           
           

                        À CIDADE NATAL

              Ah!São tantas as nossas lembranças
A Avenida São João era apenas criança
          Quando  te conheci

           O rio Pinheiros era só um menino Peralta
                Quando já sentia a sua falta
   O Pacaembu nem existia
       Quando  loucamente por você já torcia
                   Foi no Parque Ibirapuera

             Que Percebi quem realmente era
                    A Avenida Paulista ainda era tão calma
            E já  realizava a minha alma
               Quando por ti vivia orgulhoso
                O Bixiga nem era tão famoso
              A Sé nem era frequentada
             Quando já era grande e amada
                    São Paulo
Ana Carolina Alencar

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

No Ato

Antes de tudo gostaria de pedir desculpa pela demora, mas é que além de estudar pra prova que fiz na segunda, estava trabalhando numa poesia mais complexa, na verdade reformulando, tive que ler algumas coisas mais de Nelson Rodrigues, é o tema que permeia a poesia.
Sempre me impressionou as histórias absurdas que saiam da cabeça de Nelson  e ao mesmo tempo como é prazeroso fazer as peças porque a linguagem é muito emotiva e palpável o dá uma ambiguidade na obra desse grande escritor, baseado nisso lá vai minha OBRA SOBRE NELSON

No ato

Subo no palco
Escuto silêncio
Deslizando no Asfalto
Lá estava eu
Beijando Nelson

Abrem-se as cortinas
Nas sinuosas tramas de família
Lá estava eu
Serpenteando Nelson

No mais etéreo
Da consciência
Em marcha nupcial
Lá estava eu
Vestindo Nelson

Da forma mais ordinária
Tão bonitinha...
Lá estava eu
Castigando Nelson
e despindo Rodrigues

Ana Carolina Alencar
* o que está em vermelho é uma brincadeira com os nomes de algumas das peças de Nelson Rodrigues

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

História Antiga

Resultado da aula de cirurgia no Mario Covas ano passado... olha como eu estava prestando atenção...
História Antiga

Vinha sozinha
Por uma estrada vazia
Vinhas solitário e tristonho
Por uma viela da vida

Num certo dia , cruzamos
Amamos, Magoamos, Partimos
Não houve beijo, não houve palavras
Nossos votos foram selados por olhares
Nossas mágoas provadas com dissabor

Hoje, ando solitária e tristonha
Pela rua da vida
E caminhas não mais sozinho
Pela estrada vazia

Um olhar,  um amor, uma dor
Um adeus...
Jamais meus lábios serão teus !
Ana Carolina Alencar

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Vício




Vício



            Nesse instante o inexplicável e inconfundível sinto
            Que abstrai a alma e cala minha voz
            Meu canto machucado ressoa a nota mais fúnebre
            Da orquestra fantasma,mais conhecida como solidão!
           
            Doce vento frio que me envolve num olhar
            Me leva a acreditar que outros tempos virão
            Mas tristonho, um dia, meu coração tocou uma forte canção
            Cálido amor que me transtornou
            E hoje, apenas escuto a voz do silêncio
            Que não desafina em nenhum segundo, Segundo algum!

            Ah! Brando veneno que consome meu espírito
            E obscurece meu destino, desejaria nesse momento não depender de ti!
           
            Agora de nada adianta lamentar
            Nem tão pouco por mim adiantará chorar
            Que se fizesse do tempo algo precioso
            Jamais desfrutaria de tal vício

            Minha pele empalidece a cada minuto
            Tenuamente meus lábios enrubrecem
            A espera de um toque com ternura
            E meu corpo é irrigado por um sangue frio
            Que congela meu coração
                       
            Não sou capaz de mais nada a não ser me render
            Me render à vida e deixar que ela faça de mim o que quiser
            Mesmo que me traga um trágico destino
            Porém não grego, não cause a morte
            Pois já não suporto viver sem de nada saber
            Não resistiria a morte que calaria
            Eternamente a  minha alma
            E o vazio já não seria solidão.

            Mas que deixe a morte de lado
            Pois esta não virá tão cedo
            Jovem ainda sou
            Mesmo que sofra, meu tempo aqui não terminou!

            O caso é que vivo em constante conflito
            Possuo a mais terrível de todas as doenças
            E mais incurável de todas
            Que não há remédio algum
            Que alivie essa dor
            Meu problema é o amor
            Que de mim se apoderou
            Me levou aos céus e hoje me abandonou!
Ana Carolina Alencar

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Medicina e Arte

Ano passado no primeiro dia de aula do teatro eu falei que fazia medicina a pergunta de todos no momento foi " O que você está fazendo aqui ?" porque pra eles e pra muita gente medicina e arte são coisas nada a ver... A partir daí comecei a pensar no que havia nos dois lados que me atraiam tanto e comecei a buscar pontos em comum, porque a pergunta da minha vida era quando eu estava no teatro " O que eu estou fazendo aqui?" e quando estava na medicina também, aos poucos tudo ficou mais claro na minha cabeça porque eu gostava da mesma coisa nos dois então não havia mais uma contradição...

Es que surgiu então a oportunidade de juntar a arte e a medicina num concurso literário do Congresso Paulista de Educação Médica e fazer isso já não era mais tão difícil porque era uma pergunta que permeou a minha vida ano passado e o resultado foi o seguinte :

Mediensinarte
Dois extremos estranhamente se tocam
Misteriosamente se enlaçam
Dois caminhos se cruzam
Formando um só

De um lado a razão
Do outro a expressão
O curioso expresso do ser são
A cura doentia e dor cessam
Num ato cômico de simplesmente ser

O subjetivo e o técnico
Confrontam-se nas beiras
Um ao outro ensina
Que metade de mim é medicina
E metade é arte

Que num embate covarde
Descobrem-se sem fronteiras!
Ana Carolina Alencar

E assim fui uma das ganhadoras desse concurso, não esquecendo de parabenizar o Alexandre (Nando) que também ganhou com um ótimo trabalho ( mas não estou aqui pra postar o texto dele)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

III Reich

Em julho do ano retrasado fim uma oficina na Casa das Rosas em que se mesclava dramaturgia e poesia, dentro dessa oficina uma das atividades era transformar um texto de dramarturgia em poesia. Era um trecho extraído da peça TERROR E MISÉRIA NO TERCEIRO REICH de Bertold Brecht ( um autor que eu particularmente gosto muito!) e então crei a poesia abaixo :

                           III REICH

            Sob o céu enegrecido
            A embriaguez vaga na rua
            Dois abutres espelhando águias
            Onde a lógica não tem vez
            Ouve-se tiros à janela
            Na Alemanha do talvez
            Um oficial suplica socorro
            Um velho morre
            E quem é ele ?

Ana Carolina Alencar

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Palhaço

Essa poesia tem um pouco dos meus sonhos e da minha parte Lúdica... Surgiu um tempo depois que um cara que teve digamos certa relevância na minha vida, mas não muita pra ele não se gabar, porque ele vai saber que estou falando dele, compôs uma música sobre palhaço a qual eu gostei muito e ele dedicou essa música pra mim...Fizemos uma longa reflexão a respeito, alguns anos depois saiu a poesia que vocês vão ler:

            Palhaço

            Uma lágrima adorna o teu sorriso
            Foge à face a expressão do sonhar
            A sorrir sempre disposto
            Na arena há razão de amar

            Tens o dom desde menino
            E cresceste como aprendiz
            Despertaste o riso pequenino
            Além da maquiagem tens a cicatriz

            Teus passos errantes ocultam a dor do viver
            Tuas mãos brilhantes e a alegria se faz crescer
            Na poeira da estrada
            Tua sina já traçada

            Teu rosto a traços delicados
            Teu vermelho tão boca
            E teus sapatos desamarrados

            Se um dia teu palco se apagar
            Esvai de ti a força de lutar
            Pois teu ofício não há de trocar

            Jamais deixaria morrer
            A chama que te faz ser
            Palhaço
Ana Carolina Alencar

Ano passado dediquei essa poesia ao meu professor de clown! achei que fazia sentindo no contexto que passamos...

domingo, 30 de janeiro de 2011

Menina, Mulher

Indo na linha da nostalgia vou postar hoje uma das minhas primeiras poesias, em que eu fiz de um modo para poder musica-la depois, ainda não encontrei a pessoa certa pra fazer isso pra mim! Espero um dia encontrar...
Mas, essa poesia é muito especial pra mim porque é de um momento na adolescência em que muitas coisas novas foram despertadas em mim, talvez até mesmo essa vontade de escrever...
Muitas coisas passavam pela minha cabeça amores platônicos, ilusão, sonhos e a vontade de um grande amor!

             Menina, mulher
           
            É nesse jeito de criança
            Que eu vejo os seus traços de mulher
            É nessa  ilusão e esperança
            Que eu vejo que sabe bem o que quer

            É nessa tua carícia
            Que eu enxergo a malícia
            É nessa tua meiguice
            Que me faz te ver mulher

            Meu amor, meu amar
            Minha flor, meu cantar
            A tristeza em seu olhar
            Quero poder afastar

            Espero um dia
            Com você eu estar
            E na sua alegria
            Ver a certeza de me amar

            Meu amor, meu amar
            Minha flor, meu cantar
            A tristeza em seu olhar
            Quero poder afastar

Ana Carolina Alencar

sábado, 29 de janeiro de 2011

Desejo

            Quero um amor
            Que seja tão amor quanto o meu
            Que arda feito desejo no peito

            Quero um amor suave
            Como as pétalas de uma flor
            Mas tão delirante quanto a embriaguez do seu sabor

            Quero-o tão leve, mas fortaleza
            Que diga juras tão enganosas
            Que só assim eu consiga acreditar

            Que me revire e me debruce
            Faça sorrir tantas vezes
            E até chorar, mas nunca me lamentar

            Que seja tão traiçoeiro quanto o destino
            E tão preciso quanto a morte
            Um amor que me faça sonhar
            E seja também chão

            Que seja gota e escorra pelo corpo
            Fazendo de mim a sede do seu mar
            Que escorra entre meus dedos
            E eu jamais esqueça

            Quero um amor tão verdade quanto a mentira
            E quando anoitecer
            Ao se cansar de se criança
            Seja simplesmente amor!

Ana Carolina Alencar

Velho Chico

Essa é uma das mais polêmicas poesias minhas, que tem um enigma que só quem me conhece bem pode descifrar, escondi por muito tempo, pela repercussão entre as minhas amigas, elas sabem do que eu estou falando!
Agora publico porque acho sagaz e não me importo mais com que pensam...
alguns ao ler vão falar: " Tanto mistério pra isso?" outros não vão entender mas quem de fato descifrar vai rir e achar bizzarro como eu posso esconder uma coisa tão óbvia!
Eu só digo é a arte da poesia! ( eu não vou evidenciar o que está escondido)

            VELHO CHICO

            Chico, Velho Chico
            A tua grandeza me fascina
            Indo longe, além do horizonte
            Onde o mar pode te encontrar

            Francisco, meu, Francisco
            Rio perene
            Além mar
            No sertão desse nordeste
            Suas águas vêm banhar
            Caminhando em tuas beiras
            Imagino onde vais chegar
            São, meu São Francisco
            Corre em mim uma tristeza
            O meu destino veio nos separar
Ana Carolina Alencar

Contos de Farpas

            Hoje,
            O cara que não passaria dos cinquenta
            Espera a vinda dos bisnetos
            A moça que não queria casar
            Parte para mais um casamento

            Hoje,
            O príncipe encantado caiu do cavalo
            E suas batalhas não são mais contra dragões
            E sim contra o espelho

            Hoje,
            O palhaço dobra a lona
            E já não tem do que viver
            O ator não encena mais tragédias gregas
            Ensaia só o espetáculo das “contas a pagar”
            O cantor segue a estrada

            Hoje,
            O universo cabe em uma tela
            e a distância se resume algumas teclas
            O amor de juras eternas
            Agora é brisa do mar

            Ontem,
            Acreditava ter o mundo em minhas mãos
            Quando era ele que me tinha entre os dedos


                                      Ana Carolina Alencar