sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O bom e velho ano novo

Nós temos os velho costume de acreditar que quando um ano novo se inicia podemos começar do zero, como uma folha em branco esperando ser escrita. Não que eu veja isso como algo ruim, pelo contrário. É a estranha e peculiar forma de refletir sobre os nossos feitos, de tentar enterrar aquela angústia que nos consumia, de esquecer os erros e por fim, é uma nova oportunidade de fazer diferente. Embora, muitas das promessas acabem esquecidas na virada do ano e no final do outro ano cheguemos a conclusão que quase nada das esperanças depositadas naquele foram concretizadas, salvo algumas exceções em que realmente a vida dá uma guinada de forma inexplicável. Mas é que no fundo, as mudanças são lentas, as vezes quase imperceptíveis e são parte de um fluxo que já vinha acontecendo e que não são interrompidos com a virada do ano.2017 para mim não foi diferente . Foi um ano ,sim , de novas fases, novos caminhos. De fechar portas e iniciar novas histórias. De aprender a lidar com aqui que foge do nosso controle. De rever conceitos. De ressignificar muita coisa e em especial o AMOR. E não somente, do amor medíocre homem e mulher, mas o amor em sua forma suprema de ser. Daquele sentimento que move as pessoas, que cria laços, independentemente de qual for sua natureza. O AMOR é isso, é olhar para o outro além do egoísmo. É desejar o melhor para o outro. É compartilhar da dor e do sofrimento . É acima de tudo ter EMPATIA com os sentimentos e história do próximo e com isso chegar até abrir mão dos próprios desejos em prol de um bem comum para ambos. Não é à toa que uma mãe exerça isso com tanta naturalidade. E o que mais me entristeceu em 2017, foi saber o quanto falta isso nas relações, o quanto as pessoas estão mergulhadas na sua mesquinhez e esquecem de abrir horizontes.E sim, o mundo é cruel, a sociedade se esconde nos padrões inatangiveis de estilo de vida ideal, tranvestindo uma realidade utópica que não agrega ninguém. Não é à toa que a depressão seja epidemia, nas quais as redes sociais ajudam a alastrar. E por essa razão, que quero me esquivar de um simples desejo pessoal para 2018 e pedir por um mundo com mais AMOR com mais alegria e paz interior à todos. E não é que eu esteja insatisfeita não com minha vida, mas é porque acredito que todos devam ter a experiência que eu vivenciei à flor da pele de aprender a maneira mais pura de amar.

E que venha 2018

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Um conto sobre a coragem e acreditar em si

Foi respirar lá fora, porque a rispidez o consumia por dentro. O menino Quixote precisava provar ao mundo que moinhos eram verdadeiros dragões e que a menina maltrapilha, Dulcinéia, apesar das arranhaduras que o orfanato lhe deu, deveria ser tratada com dignidade. Porém, o que Quixote não esperava é que a batalha mais árdua fosse a de se livrar das amarras das entranhas familiares que o afogavam no medo e faziam duvidar da credibilidade de seus conceitos.

domingo, 12 de novembro de 2017

O universo dos patinhos feios

 Eu não sou uma pessoa especial, daquelas que entra na vida de alguém e muda o rumo da história. Aquela mulher que faz um convite ao surpreendente, que transforma as noites comuns em noites quentes de delírios sexuais.Como diz um colega meu, sou muito gelo para pouco Whisky. Talvez eu esteja distante do protótipo de mulher que um homem espera. Não sou aquela que transtorna do princípio ao fim. Não ofereço mais que a minha honestidade, não faço jogos para forjar uma personalidade misteriosa aquém do que eu consigo sustentar. Tenho minhas crises, minhas angústias e minha insegurança.Posso até ser chata.Mas, meus sentimentos não são descartáveis e minhas frustrações são bem reais. É bem provável até que a idéia de mulher ideal para um homem seja bem diferente da realidade. Acho que até nem consigo compreender muito bem o universo masculino e nem sei se nas minhas tentativas de relaciomento correpondi as expectativas que criaram sobre mim. Por essa razão, seria um erro meu esperar que surgisse alguém tão inusitado assim na minha vida. Alguém que me fizesse me sentir mais viva, que quisesse descobrir minhas nuances profundas, um parceiro para todas horas, um porto seguro e um elo de confiança inabalável.E, embora, homens e mulheres transitem em atmoferas bem distintas, quando há vontade das duas partes, ajustes podem ser feitos para fortalecer o vínculo entre os dois.
 Não sei em que momento da vida desaprendi os caminhos para se criar as alianças dos relacionamentos.Ou quando essa vontande de estar junto simplesmente se esvaiu. Pode ser que eu tenha me perdido nas novas formas de comunicação, ou talvez meu erro tenha sido insistir em algo que já estava fadado ao fim. Daí, enxergo que nesse mundo de incompreensão não sou o patinho feio,vitima dos acontecimentos, que ainda não sabe ser Cisne, e que existem pessoas que sentem a mesma coisa que eu . A parte mais estranha de todas é que vivo me perguntando qual fio desalinhou para o mundo estar povoado de tantos patinhos feios insatisfeitos.
 O senso comum caminha por superficializar nossas essências, rotulando homem e mulher, fazendo a gente acreditar que aparência e sexo sejam suficientes ao ego masculino e dinheiro e status bastem à perspectiva feminina e que assim, não existam mais pessoas especiais ansiando outros focos.
Não são os homens que não prestam e nem mulheres que são vazias e sim ,as tentativas de colocar as pessoas em padrões que frustam ambos sexos  porque como disse no inicio, eu não sou diferente e ninguém é ,somos todos uma humanidade cansada de clichês inventados por nós,tentando encontrar o próprio lugar no mundo, buscando alguém que simplesmente esteja disposto a nos acompanhar.

 A partir dessa premissa surge uma grande questão existencial : Se somos todos iguais em busca do inesperado, existe ainda alguém disposto a ser companhia?

Ana Carolina Alencar

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Madrugada Ingênua


Em meio a sonho e realidade
Seu corpo despertara dum sono profundo
Sua face em rubor vivido
Dava feição ao libido

Permeada entre calor e arrepio
Queria...
Ah como queria
 Despida de pudor sentia

A madrugada a penetrar
Vontade em seu olhar
E ao passar desapercebida
Seu pensamento desatinar

Pobre e ingenua lua
Que anseia ser sua
Para ver a noite deitar
E da madrugada em volupia
O dia raiar

Ana Carolina Alencar




domingo, 15 de outubro de 2017

Encruzilhada

A escolha do amor nem sempre é uma coisa fácil. Aliás, é um caminho árduo, de asperezas entremeadas a alegrias, e as vezes, o que sobra é um gosto amargo da saudade. Mas, vez ou outra no descuidar da maré, dá sorte, dos brilhos dos olhares se tocarem e assim a magia acontecer.
O problema é que para isso acontecer é preciso se entregar nas relações e deixar o que há pra ser. Nem sempre estamos abertos para encarar toda essa intensidade desse sentimento.
Sonhamos em mergulhar através da superfície, em viver situações inusitadas, em se permitir adentrar no mistério, dentro do intervalo do descompromisso, mas esquecemos que no amor cabe se perder, ser frágil e vunerável ao outro. Então nos fechamos a quem vem para não nos machucar.
Não deixamos ninguém tocar nossas feridas, cuidar dos nossos "eus". Só que amar também é se reconhecer no outro.
Eu que sempre busquei me entender na escolha do amor, encontro portas fechadas para o caminho do inesperado.
Desculpa por me fazer intensa a cada berada de estrada. Sinto muito por querer viver o riso e a madrugada, por desejar me confundir em você a cada instante.
Se escolheu se fechar para o amor, eu escolho amar... Então somente me perdoe por lhe fazer convite a essa doce encruzilhada!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Coração Partido

Ela engoliu o choro. Deveria recolher os fragmentos do seus sentimentos estilhaçados feito garrafa jogada na parede. Deveria partir, seguir em frente. Suas pernas bambeavam, palavras dançavam na língua e escorregavam na garganta.Amava sim e tantas vezes esse amor incompreendido se fez ferida e ardia em brasa . Ficou ali atônita, estática absorta na memória, tentando entender em que momento deixou de ter as rédeas da vida. Respirou fundo e viu que lhe faltava o ar... A voz trêmo-la tentando dar espaço para o adeus que não queria ser.
Virou as costas não olhou para trás . Partia querendo ficar, partia querendo que ele a tomasse em seus braços pelo resto da vida
Partia recolhendo os cacos do seu coração mais uma vez partido

*Ao meu mais verdadeiro amor

sábado, 9 de setembro de 2017

Nuances



Eles se encontraram ao acaso numa uma hora qualquer, num dia qualquer, de uma semana qualquer, em um ano qualquer. Ele a viu e não conseguia tirar os olhos dela. Ela sorria e se surpreendera de como podia ser tão confortável estar perdida naquele olhar. Os dois eram impelidos um para outro de tal maneira quase impossível de resistir. Ficaram os dois estáticos na fração de segundo que era o enlace eterno de suas vidas.

 O dois partiram cada um para um lado, e nem imaginavam que ali acontecera uma prenda do destino de uma longa história que naquele instante iria começar...






Assinado: Um futuro amor travesso